Arquivo da tag: passeios culturais

Isla Negra e Pomaire – Um Passeio Encantador no Chile


Isla Negra e Pomaire foi, com certeza, o passeio mais encantador que fizemos a partir de Santiago, em novembro de 2017. É um passeio de dia inteiro, e o caminho até lá já tem suas belezas. É possível ir admirando as mudanças na paisagem, as montanhas e as fofíssimas e instigantes Animitas – uma espécie de templo para veneração religiosa a pessoas que perderam suas vidas em acidentes nas estradas.

Visitamos primeiro Isla Negra, uma área costeira em El Quisco, a cerca de 114 km de Santiago, conhecida por ter sido o lar do poeta chileno Pablo Neruda, que lá morava, até sua morte, em 1973. A casa foi rebatizada Isla Negra porque ali o poeta se sentia ilhado para criar. E o nome da casa acabou designando esse trechinho da costa de El Quisco. O poeta tinha mais duas casas: La Chascona, em Santiago, e La Sebastiana, em Valparaíso. Todas tornaram-se museus, sendo bem visitadas durante todo o ano. Porém, a casa em Isla Negra é considerada a mais bela, brindada por uma linda vista do oceano pacífico.

Ao chegar à casa museu, você paga a entrada e é informado de seu horário de visitação. No nosso caso, havia um grupo visitando a casa e esperamos por uma hora e meia, mas nem vimos o tempo passar. Aproveitamos para tomar um café no restaurante El Rincón Del Poeta, que fica anexo à casa. O restaurante tem uma área com mesas ao ar livre, com uma vista incrível para o pacífico. Pedimos café e ovos mexidos com queijo – quem vem com um pãozinho incrível, junto. Adicione um pouco do divino azeite de oliva que já fica em cima da mesa e delicie-se (deu água na boca aqui). O restaurante possui várias opções de bebidas e comidas, para lanche ou almoço.

Os tours pela casa são divididos em grupos. Cada pessoa recebe um aparelho, semelhante à um telefone antigo, no qual há uma gravação na língua desejada. Em todos os cômodos, há um número específico que você deve apertar no aparelho para ouvir sua história e a explicação sobre os objetos. Ou seja, você ouve no seu tempo, olhando tudo no momento que quiser (é claro que não dá para passar o dia todo por lá, rsrs).

A casa é linda e romântica! Cada detalhe foi pensado de maneira peculiar e cada peça tem uma história. O poeta era um grande amante do mar e teve também uma forte influência de seu pai, que era ferroviário. Desta forma, os cômodos da casa lembram, ora o interior de um navio; ora o interior de um vagão de trem. Todos os cômodos proporcionam uma vista incrível do oceano, especialmente o quarto que era do poeta, que fica na parte de cima da casa. Neruda também adorava colecionar artefatos do mundo inteiro, e muitos amigos o presenteavam com objetos, que também entravam para a decoração ou coleção. São estátuas, garrafas, taças, mapas, mascarões de proa de barcos antigos, coleções de insetos, borboletas, conchas do mar…

O jardim da casa é puro charme. Uma mistura de natureza e detalhes náuticos, tudo com um certo ar de melancolia. Como fomos na primavera, as flores estavam divinas, tomando conta de toda a paisagem.

Na parte do jardim mais próxima do mar está o túmulo que abriga os restos mortais do poeta e de sua amada, Matilde. O jazigo, é claro, também carrega características náuticas, imitando a proa de um navio. Descendo até a bela praia, há um “moai” (escultura inspirada na cultura rapa nui da Ilha de Páscoa), esculpido em uma das rochas, no formato da cabeça do poeta, observando o mar.

Depois da visita à casa museu, seguimos para Pomaire, uma cidadezinha minúscula, famosa por seu artesanato em greda (argila preta) e suas gigantes e deliciosas empanadas – já foi parar até no livro dos recordes, como a maior empanada do mundo, com meio quilo. Chegamos por volta das 14:00 horas e fomos direto para o restaurante Los Naranjos, o qual tem um ambiente bem amplo, bonito, com uma decoração bem típica chilena. Comi a tradicional empanada, que estava uma delícia! O maridão provou (pasmem!) o prato Pietras com papas – um enchido (ou embutido) sem carne, recheado principalmente com sangue e gordura de porco e farinha ou arroz (eca!), servido com batatas cozidas.

Depois do almoço, andamos pelas ruas, entrando e saindo das lojinhas de artesanato – tomando sempre muito cuidado para não pisar em algum dos cachorros que dormem tranquilamente pelas calçadas. São várias lojas, uma do lado da outra, e são os próprios vendedores que produzem as peças – de copos, panelas e pratos, até figuras zoomórficas e peças modernas. Nós adoramos esse tipo de passeio, que proporciona um “mergulho” na cultura do lugar. Visitamos também um restaurante lindíssimo que encontramos pelo caminho, que nos encantou, chamado La Chingana. Se tudo der certo, na próxima visita almoçaremos por lá 🙂

Foi um passeio encantador! Talvez não seja muito indicado para crianças, por não ter muita diversão. Para adultos e idosos, consideramos um passeio imperdível, especialmente durante a primavera e o verão, quando os passeios tradicionais, como o Valle Nevado, estão fechados em Santiago. Fizemos o passeio em um dia de semana e havia pouco movimento nos dois lugares. Para não ser pego de surpresa, consulte sobre o período em que você pretende fazer o passeio, para saber se há previsão de maior movimentação. Aos finais de semana, Pomaire é um destino muito visado pelos santiaguinos, que vão em busca de comidas diferentes, artesanato e sossego.

Programe-se e aprecie seu destino 🙂